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TERESA SALGUEIRO ALMA DE UM POVO A SONHAR
Teresa Salgueiro é unanimemente considerada uma das melhores vozes do actual panorama musical português e mundial facto que facilmente se comprova pelas reacções de quem, português, japonês ou de qualquer outra nacionalidade ouve pela primeira vez a sua voz e não lhe consegue ficar indiferente mesmo que sinta pouca afinidade com o estilo de música que Teresa possa estar a cantar. Há desde logo um encanto que emana da sua voz comummente classificada como soprano, todos constatam a singularidade e beleza existente no timbre delicado com que dá vida e encanto às palavras cantadas. Somente pelo seu registo vocal e sem haver conhecimento prévio da sua imagem, poder-se-ia afirmar que Teresa Salgueiro é um ser angélico, formoso, pacificador. Ouvindo a sua forma de cantar torna-se relativamente fácil adivinhar-lhe a figura, essa imagem pressentida que se desprende da sua voz torna-se cada vez mais nítida à medida que nos embrenhamos no seu doce canto emocionado de saudade. Aberta essa janela de sensações avista-se com clareza a imagem de Teresa, juntas, voz e imagem fundem-se na criação da personagem: uma mulher que canta o amor e a saudade e que espera contemplando o mar.
Maria Teresa Salgueiro nasce em Lisboa no final da prolífica década de 60 mais concretamente a 8 de Janeiro de 1969. Nesse mesmo ano e apenas volvidos três meses sobre o nascimento de Teresa nasceria no Montijo Dulce Pontes outra das mais estimadas vozes portuguesas da actualidade. Predestinada ou não para ser cantora, a resposta dependerá sempre da nossa crença num destino traçado ou num destino por traçar, o certo é que Teresa Salgueiro costuma afirmar que desde sempre cantou. Na sua infância e adolescência passadas na Amadora Teresa cantarolava as cantigas saídas do Festival da Canção, na altura muito em voga, os sucessos da música brasileira e, mais tarde, os fados tradicionais com que brindava os seus amigos nas noites do Bairro Alto. Aos 17 anos Teresa era a voz dos Amenti, segundo Jorge P. Pires “um grupo de garagem vagamente futurista” (Madredeus – Um Futuro Maior, Temas e Debates, 1995) que ensaiava nas proximidades da Avenida de Roma, em Lisboa.
Isso mesmo constatou também Pedro Ayres Magalhães quando regressado de uma viagem ao Brasil ouviu o canto daquela rapariga de 17 anos. Teresa era a voz que procuravam mas não só. Ela incorporava na perfeição a postura que Pedro Ayres, Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro haviam idealizado para a cantora que procuravam. A uma postura coerente com o som e as palavras do grupo, Teresa acrescentou ainda uma inegável originalidade no modo de cantar e de se apresentar em palco. Entre as primeiras expectativas de viagem, as primeiras aulas de canto e o entusiasmo de uma promissora carreira como cantora num grupo cada vez mais requisitado e aplaudido Teresa Salgueiro opta por abandonar os estudos concluído o 11º ano do ensino secundário e dedica-se exclusivamente aos Madredeus deixando de lado a ideia de ser zoóloga já de si um pouco comprometida pelos melhores desempenhos nas letras do que nas ciências. Teresa Salgueiro molda os versos que canta com a sua voz delicada e pura, plena de emoção. As palavras tornam-se leves apesar de carregadas de sentimento, ondulam no ar libertas pelo seu cantar suave e apaziguador. A voz sublime flúi com naturalidade da sua figura pequena e frágil, dela emana um encanto natural que não passa despercebido, irradia uma paz que poucos conseguem transmitir, capacidade talhada apenas naqueles seres iluminados que indicam caminhos. A uma figura como a de Teresa só poderia corresponder uma voz cristalina e límpida, pacificadora. Quando vemos Teresa Salgueiro em palco é com essa impressão que ficamos, somos tocados pelo dom pacificador transmitido pela sua voz e pela sua presença. Assistir a um concerto dos Madredeus é uma experiência de indescritível elevação, Teresa está em palco para colorir os ambientes instrumentais criados pelos músicos do grupo dando textura às palavras e forma aos sentimentos que vai cantando. É tocante a postura com que Teresa se apresenta em palco, a interpretação de cada canção é uma pura manifestação de sensibilidade. É deslumbrante a sua simplicidade, inesquecível o movimento das suas mãos, comoventes o seu olhar e o seu sorriso, afectuosas e tímidas as palavras trocadas com o público no início ou final de algumas canções.
Se as primeiras canções dos Madredeus não foram escritas e compostas propositadamente para Teresa Salgueiro, a partir de certa altura, os membros do grupo passaram a escrever e a compor tendo-a como referência, facto particularmente evidente a partir do álbum “O Espírito da Paz”. Fonte inspiradora da maioria das canções dos Madredeus, Teresa tornou-se rapidamente o ícone do grupo, a sua personagem principal, de tal forma que no álbum “O Paraíso” é apenas a sua face que surge a ilustrar a capa do disco. Apesar da estreita ligação que existe entre Teresa Salgueiro e a música dos Madredeus, é com insistência que lhe é posta a questão sobre uma possível carreira a solo. Teresa nunca excluiu a possibilidade de um dia vir a dedicar-se a uma das áreas musicais que lhe é mais querida, o Fado, mas vai dizendo que se sente bem nos Madredeus, que se identifica com as belas canções que os músicos da banda escrevem e compõem para si.
Com uma carreira de sucesso alicerçada nos Madredeus, Teresa Salgueiro é hoje uma referência para muita gente repartida pelos quatro cantos do mundo, a sua voz é universal e admirada tanto em Portugal como no Brasil, México ou Japão. Teresa é um bom exemplo de como se deve passar por este mundo, tocando sempre os outros com humildade através de algum dos dons que nos foi concedido. Teresa oferece-nos o seu canto sereno, o seu ensinamento brando e bonançoso mesmo em tempos de borrasca.
Com o passar dos anos Teresa Salgueiro continua fiel à convicção de estar ao serviço da música e de uma mensagem mas não parada no tempo. Desde que integrou aos 17 anos os Madredeus sendo do grupo também fundadora, Teresa soube crescer e evoluir, apreendeu as lições da viagem e do tempo. S é r g i o...F r e i t a s |
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